sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Uma folha em branco


Uma folha em branco...
uma porta escancarada pra fuga em desabalo
uma promessa ou uma declaração de amor
uma descoberta de sentimentos em compartimentos secretos
um recomeço
um pedido de desculpas
um pedido de perdão
ou não.
Uma folha em branco e a oportunidade de dizer o que pensa
O que sente
O que viu um dia
O que inventou
O que queria ver
Uma folha em branco e logo vem a necessidade compulsiva de enchê-la de palavras palavras palavras palavras...
- Quando aprenderemos a deixar em paz as folhas brancas e todas as suas possibilidades?...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Devaneios etílicos e sãos - Parte Dois

Desde sempre eu, desde sempre outra, desde sempre alguém. 
Desde sempre nunca, desde sempre nada, desde sempre, amém.


Não esperar nada,
não esperar ninguém,
me assombra e me consola, não sei bem.
Um estar só sem fim...


Duendes: estreitam o corredor enquanto você bebe.


Nuvens de algodão... e uma lua louca a desafiar a escuridão!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Presente da Flor de Titia


A internet tem dessas coisas. Surpresas! Você encontra por acaso alguém,  troca "bom dia", fotos, algumas palavras... Algumas coisas passam, outras, mais que surpresas são grandes encontros. A Flor de Titia escreveu isso pra mim... Obrigada, linda!
 
Quem é ela?
Uma estrela que caiu do céu
Para a terra iluminar
Um sorriso simples e travesso
Capaz de contagiar
Uma criança em corpo de mulher
Com a alegria de viver
Mãe, amiga, gente fina
E um jeito simples de ser
Poeta que ama brincar com as palavras
Palavras que ganham vida fora do papel
Tornando o mundo mais colorido
Palavras doces como o mel
Para entendê-la existe uma regra
Deixar de lado a razão
Olhar com os olhos da alma
E interpretar com o coração
Detê-la é impossível
Ela continua dirigindo na contra mão
Seu caminho é o da felicidade
E o amor é sua direção.
Tia Marci, Tia Marci Tia Marci
Esquecer-te? É claro que não!


By Kari Boccia No twitter @kariboccia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

EXCLUSÃO

Tá bloqueado, amarrado, excluído
Tá dominado, guardado e esquecido.
Cartas e fotos rasguei
Poemas e músicas amassei
Sua blusa preta... tá, essa eu guardei.
Apaguei vestígios, reescrevi minha história.
Em minha Bio não aparece você
Aproveita o momento e me esquece.
Não faz força não, só me deixa ir.
Não tô pedindo pra explicar nem me entender – já fui, deixei você.
Pausa pra um café, pausa pra um gole de coisa qualquer, um cigarro, um lexotan fora de moda. Pausa pra minha cabeça foda! Pausa!...
...E se alguém aí estiver entendendo alguma coisa, joga a bóia, age! Acho que não chego até a margem...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Licença poética

Então me vejo aqui, meio sem entender essa história da mudança da ortografia ou sei lá o que seja isso.
Meu coração continua fazer versos do mesmo jeito torto, na língua que conhece - a mesma que matou Camões, Pessoa, Bilac, Drummond e Quintana...
Sobreviverei eu?
Versos não se importam com isso. Falam numa linguagem própria, à parte da língua. Saberão esses senhores da mudança do que fala nossa dor? Conheceriam a nossa dor? Não sabem nada. Não são poetas. Nem me importa. Continuo eu, só do que sei. Corrijam-me. Venham atrás. Meus versos vão à frente. Falam de sentimento. Não de facilitar.
Se eu quisesse facilitar, não faria versos. Faria equações matemáticas. (Falo por você, Quintana.)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Versos tolos


É tarde, madrugada alta e escura.
Por entre as nuvens no céu adivinho a lua
Que em vão tento trazer à terra
Para cobrir de luz tua pele nua.

Da fragilidade do instante
À eternidade de um único momento
A esperança do renascimento
No suspirar profundo do amante.

Guardar-te em meu seio procuro
Como quem tenta obscurecer a luz
Como um cego num deserto errante
Aperta contra o peito, o terço e a cruz.

Versos de amor são só lágrimas doces
Que saltam do coração ao papel.
São carneirinhos no campo em disparada
São gotas de orvalho sob o céu.

Ser dona do tempo não posso
Nem de tua alma quero me apossar.
Rabisquei versos tolos num lamento, amor
Na febre da vontade de te amar.

A verdade sobre os contos de fadas

A verdade é uma só: príncipes só aparecem no final da história, não têm nome, entram mudos e saem calados.
Princesas são patricinhas limitadas à condição de esperar o príncipe.
Reis são bocós, muitas vezes cornos e os últimos a saberem qualquer coisa.
Quem sobrou? A Madrasta, a Feiticeira, aquela que faz toda a história acontecer, sempre tão injustiçadas...
Sempre fui fã das madrastas. Agora mais que nunca!!!

SER

Queria saber quem eu sou...
Mas só vejo uma pálida lembrança de quem fui, um esboço de quem queria ser, um rabisco de quem me apresento...
Ser é um verbo difícil de se conjugar, diria Quintana. Um descuido e já era...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Devaneios etílicos e sãos

Se te espero, a espera é doce e perfumada.
Mesmo que não venhas, tua ausência faz companhia, e a saudade, melodia.
Se te espero, o tempo não é bom nem ruim, é só o que antecede a união, eterno e fugaz, instante e eternidade.
...............

Estranhos são nossos caminhos. Por que estranhos somos nós.
Nossas certezas, convicções, sentimentos.
Nossas falhas, descobertas, recomeços. Idas e vindas. Tropeços.
Estanhos e íntimos somos pra nós mesmos.
Um dia, ou uma noite, nos deparamos com alguém, que não sabíamos que éramos nós.

.......................

Brinco de dançar.
Jogo a cabeça, os quadris, invento passos.
O cabelão ajuda.
Pareço jovem...
Mas o coração não se engana.
Dança nenhuma engana o tempo que me comove.

.....................

Viver é rasgar os véus.
Desnudar os dias.
Inventar trilhas.
Viver é aprender, esquecer e reaprender.
Fazer de novo, diferente.
Viver é reinventar a vida, todos os momentos.
Por que a história só existe quando a contamos. Antes disso é expectativa ou covardia.
Para enxergar a vida é preciso esquecer o próprio eixo, desviar-se do próprio umbigo.
O caminho mais fácil não é o da luz. Essa é a grande ilusão.
Continuo dirigindo.

......................

As mulheres da minha vida andam só.
Marias ou não, andam só.
Marias ou não, carregam pesada cruz.
Marias ou não, sem ou com amor, andam sós.
Seus – nossos – caminhos se confundem, se cruzam, se parecem.
Loucas, santas, confusas, guerreiras, mansas, eternamente prisioneiras de seus hormônios e suas sinas.
As mulheres de minha vida se misturam comigo.
Às vezes são como eu.
Às vezes sou eu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

João Neiva Chega ao Céu

Montado em seu alazão, vestido como um bom boiadeiro, João Neiva chegou ao céu. Apeou e São Pedro, dono das chaves, veio recebê-lo.
- Boa Tarde!
- Boas tardes! Por acaso, o senhor pode me dizer que lugar é esse?
- Primeiro, eu faço a pergunta principal: Quem é você?
- Homessa! Não sabe quem eu sou? Sou João Neiva, conhecido, cantado em verso e prosa por todas as Minas Gerais!
- Como vai, Seu João? Eu sou São Pedro e o senhor está no céu.
- Quer dizer então que morri?
- Bem, Seu João, pela sua ficha vejo que o senhor viveu até os 98 anos. É uma longa vida. Sua morte foi natural, decorrência da muita idade...
- Menino! E não é que esse lugar parece mesmo o céu? Isso quer dizer que vou encontrar todo aquele povo que já morreu antes de mim? Mamãe, papai, meus irmãos...Hildete! Cadê Hildete?
- Calma, Seu João! O Senhor vai ter muito tempo pra encontrar todo mundo. Aliás, toda a eternidade. Por isso antes vamos bater um papinho. Preciso acabar de preencher sua ficha e faltam alguns dados.
- Ora, moço, eu sempre gostei de um dedinho de prosa, mas é que é a primeira vez que proseio depois de morto!
- Há, há! Bem que aqui está escrito que o senhor é um pândegas! Seu João, o senhor tem que entender que para ficar aqui no céu é preciso estar dentro dos requisitos, afinal , esta é uma condição eterna! Vejo que o senhor não foi um homem lá muito religioso...
- È verdade, Seu Pedro...
- São. São Pedro.
- O senhor me desculpe, mas é que esses assuntos santos quem sempre resolveu na família foi minha irmã mais velha, a Negra. E como ela já rezava bastante, foi até freira e tudo, pensei que já tinha rezado pra mim também.
- Seu João, D. Negra é uma velha amiga nossa. Conversa com toda a turma aqui de cima há tempos. É verdade que ela sempre pediu por toda a família e isso inclui o senhor...
- Pois então... Ademais, também tive um irmão padre!
- Frei. Frei Marçal. Um amigo querido que temos por aqui. Grande alma!
- Então essa parte está resolvida, quem tem irmãos como os meus, além de uma esposa devota de Nossa Senhora, como era a minha Hildete...
- Seu João... Pois bem. Passemos para outro item. O senhor não tinha lá uma boca muito santa... era um tal de chamar o “outro” quando estava tocando o gado...
- Vaca, diabo!
- Por favor, não repita isso!
- O senhor me desculpe, Seu Pedro, mas era o costume. Também não era com maldade, não, era o jeito de falar...
- São, por favor, São Pedro.
- Se o senhor faz questão...
- Seu João, aqui está escrito que o senhor tinha... como direi, um gosto pela troça, uma certa mania de fazer piada com os outros...
- Olha, esse menino, quem escreveu isso aí não prestou atenção. É bem verdade que gostei de contar umas anedotas, coisa e tal, mas nunca fiz mal a ninguém. Pode perguntar a qualquer um que conheceu João Neiva.
- Não fala sobre fazer mal... mas o senhor aprontou bastante, Seu João! Que história era aquela de se fazer passar por vidente, cartomante, quiromante?
- Nada de mais. Falei alguma coisa ruim? Falei aquilo que cada um queria ouvir. Isso fez mal a alguém? Fez nada.
- Mas era mentira, Seu João, e mentira é uma coisa muito feia!
- Mentirinha besta, bobagem!
- E aquelas manias de pregar sustos nos outros, e as histórias de assombração!
- Ah, Seu Pedro, o senhor está sendo muito bravo! Primeiro não são histórias, são causos e isso é coisa lá de nossa terra, faz parte da nossa cultura, não é assim que se fala?
- São.
- São o quê?
- São Pedro, é São Pedro!!!
- Calma! Foi um descuido.
- Seu João, o senhor foi um grande zombeteiro! Conta direito como foi aquela história do patuá e da mulher grávida! Sabia que isso foi abusar da fé alheia?
- Abusar? De jeito nenhum! Pois num deu certo, terminou tudo bem? Então, já diziam os antigos, “mais vale a fé que o pau da barca”. Seu Pedro, o senhor está querendo achar algum motivo para eu não ficar no céu, é? E a meu favor, não tem nada não? Uma vida de trabalho, dez filhos, sabe Deus quantos netos e bisnetos, nada conta aí nessa sua ficha, não?
- Pera lá, Seu João. Esse é o meu trabalho. E eu sei o que estou fazendo.
- E como vou saber?
- Saber o quê?
- Que o senhor sabe o que está fazendo?
- Seu João, o senhor está me confundindo!
- Viu? Se está confuso é porque pode não saber o que está fazendo. Faça-me o favor de olhar aí o lado bom da ficha, Seu Pedro.
- Ah, é hoje! Estou precisando de férias, Senhor!
- Depois que botar eu e meu alazão pra dentro, pode ir.
- Seu João, o senhor tem realmente mais pontos a favor que contra.
- Então, dá licencinha e me deixa logo caçar um cafezinho aí dentro, ou uma boa pinguinha...
- ...
- Já vi que aqui ninguém bebe, né? Tudo bem, aposto que não ia ter da boa mesmo.
- Como eu estava dizendo, o senhor tem realmente mais pontos a favor que contra, mas...
- Mas o que, homem de Deus?
- É que isso pode não bastar. Pode ser que sua pontuação só lhe dê direito ao purgatório...
- O que? O senhor só pode estar brincando! Purgatório é aquele lugar onde nada acontece, em que a gente fica esperando uma vaga em cima ou embaixo?
- ...é mais ou menos isso, Seu João.
- Homessa! E o senhor acha que sou homem de meio termo? Então, ta , se não quiser mesmo que eu fique aqui em cima, vou ter com o diabo.
- Em nome de Deus, homem, não diga uma coisa dessas!
- Mas vou logo avisando que vou dar trabalho. Aliás, primeira coisa, vou contar como a recepção aqui é bagunçada.
- Seu João, por favor!
O barulho acabou atraindo a atenção de outras pessoas.
- Mas, afinal o que está acontecendo aqui?
- E esse, quem é?
- Eu sou São João!
- Enfim, você apareceu, xará! Quer fazer o favor de dizer pra esse tal Seu Pedro que eu posso entrar aí?
- É São!!! É São!!!
- Pedro, você está cometendo o pecado da ira!
- A culpa é dele!
- Ih, agora, foi falso testemunho! Ele já estava nervoso antes de eu chegar. Quer até pedir férias.
- João, me acuda! Cuide da ficha deste homem, por favor!
- Agora sim, de João pra João.
- São.
- O que?
- É São João.
- Tá certo. Gostei. Pode me chamar de São João Neiva.


Obs.: Na foto, o lendário João Neiva, meu avô,  de mãos dadas com minha prima Helen. Prima, pra você, com muito carinho.

Espera?

Enquanto não chega o fim do mundo, é no teu beijo que quero sentir tremor.
A terra que espere para se abrir.
Enquanto as trombetas não tocam, é no teu corpo que vou me enroscar e esquecer...
Que venham as chuvas, os raios, os meteoros! Dentro de mim, há muito sinto a tempestade. Agora, que se faça o caos!
Enquanto não chega o fim dos tempos, não vou perder meu tempo tentando entender ou explicar... te quero, só te quero!
(...e é no quente do pecado, escondido entre meus peitos, que vou te guardar...)
Antes que o mundo se acabe –
Antes que os anjos anunciem o fim –
Antes que a poesia desista de nos provocar –
Espera um minuto. Eu vou.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Debut

Com você seria diferente.
O primeiro beijo teria sabor de primeiro beijo
Jeito de quinze anos,
Tremor de adolescência.

Com você, qualquer palavra de amor pareceria original.
Toda música, a primeira dança.
Toda dança, valsa de debut.

Com você, fazer amor seria como a primeira vez.
Acordaria com um sorriso nos lábios,
Imaginando que alguma coisa mudou,
Entre a Terra e o Universo.

Com você, se a esperança não me abandonar,
Tudo pode ser diferente.

Foto by: Marcelo Guerato - http://www.flickr.com/photos/guerato/

Olhos Janelas

Das janelas anônimas
- silêncio –
Vaza poesia,
Escorrendo pelas paredes,
Escuridão melando a noite

Dos seus olhos semi-abertos
- Acalmia –
Vaza poesia
Escorregando até seu riso,
Amor melando um beijo...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Acalmia

Em meus braços, laços lassos,
Repousas tranqüilo e inocente.
Num só abraço, num só beijo
Descansamos o amor.

Cada fibra, cada célula
Ainda vibra, impune,
Como se o gozo não fosse só o instante
Mas eterno presente.

E essa hora de acalmia
Em que te repousas no meu repouso,
Dormes no meu sono,
Sonhando com sonhos meus,

É o instante perene
Em que nossos corpos, solenes,
aguardam um no outro
que se refaça a paixão.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aquarela

Misturei suas cores com as minhas -
esqueci minha aquarela bem em cima do seu peito
(branco e preto,
quente e frio,
fora e dentro...)
Troquei nossos nomes –
agora eu chamo “Você” e quando lhe quero chamo a “Mim”.
Não sei mais fazer poesia,
mas quando fazemos amor,
duendes, fadas, flores e loucos
dançam na nossa cama.
Lá fora Sol e Lua se confundem,
se estou longe de Você.
Lá fora Tempo e Espaço se abraçam,
transtornando todo o universo, fazendo do Caos a Nova Ordem –
só porque estou longe de Você.

Misturei suas cores com as minhas,
seu nome com o meu.
Agora eu chamo Você.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ao meu amor dos sonhos


Quem é você, que invade meus sonhos, trazendo de tão longe, essa saudade que eu não conhecia – ou já esqueci?

Quem é você, que eu nunca conheci ou não me lembrava que existia e que agora é tão familiar a minha alma?

Que amor é esse, despertado de um sono de cem anos, que eu sei real somente pelo meu próprio coração?

De onde vem? Para quê ? O que quer de mim? Por que sinto que não vou mais conseguir viver sem você, seu peito seguro, suas mãos de amparo, olhos de tanta dedicação?


– 070605 –
Foto by: Marcelo Guerato - http://www.flickr.com/photos/guerato/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Possivelmente


Possivelmente, nunca mais direi que te amo.
Possivelmente, nunca mais olharei em seus olhos, sentindo seu hálito bom, pressentindo um beijo roubado.
Possivelmente, nunca mais um abraço muito, muito forte vai fazer seu coração bater no meu peito.
Possivelmente, nunca mais brigaremos, ficaremos de mal, só para fazer as pazes e ficar de bem...
Possivelmente, nunca mais suas mãos vão enxugar meus olhos, marejados de te querer, numa estação de trem que mais parece nossa.
Possivelmente, nunca mais falaremos de amar e beijar na boca, nunca mais riremos dos passantes, da gente comum, que nos olhava curiosa.
Possivelmente, nunca mais... nunca mais trocaremos bilhetinhos cheios de malícia, o desejo atiçado, descuidados do mundo perigoso.
Possivelmente, nunca mais sentirei o peso do seu corpo bom, seu cheiro de macho, sua maneira de amar só sua, só nossa, só nossa.
Possivelmente, nunca mais serei plena e feliz. Nunca mais.
Mas, possivelmente vou seguir seguindo, desfrutando do que a vida reservou pra mim, do jeito que ela quis. Possivelmente, encontrarei forças para sorrir vez em quando, ou para escrever bobagens, como agora, só pra não deixar morrer a poesia, tão esquecida.
E por enquanto, possivelmente só mais uma vez, vou repetir que te amo. 
 

Becos e janelas & Outros

Pela janela a lua entrava,

Esparramava-se sobre corpos nus,

Deixando perfume de luar sobre eles...


Pela janela a lua espiava,

E lá com seus botões se perguntava

De que espécie de sonho é feito o amor.


Pela janela, a lua se enamorava

E não se cansava de lamber de luz

Os corpos nus dos dois amantes.


A lua, pela janela adivinhava,

Lá com seus botões, que em algum lugar,

Entre o céu e o infinito,

Uma estrela nascia, em grande explosão.


Pela janela, a lua que tudo sabia, nada dizia,

Nada tocava, tudo banhava de luz...





Onze

onze mil beijos em
onze mil flores
onze mil pássaros de
onze mil cores
onze mil corações,
onze mil orações
só para você,
onze mil amores...



(Sem Título)

Meu corpo sonhando teu corpo

Rola chorando no ninho

Se abraça, se beija, se consola

Fazendo amor sozinho.







(Sem título)

Quem pode calar o tempo

quando seu canto, fingido acalanto,

vem marcando tudo

com seu sopro frio,

sulcando, dobrando, escrevendo

com dedos de cinzel,

caras e almas?




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Para João Felipe

Tente, mesmo que apenas um minuto do seu dia, se expor ao perigo
de ser qualquer um.
Ou qualquer outro.
Experimente, mesmo que apenas uma vez, da loucura de não se explicar,
nem tentar se entender.
Existem sentimentos absolutamente indefiníveis pelas palavras –
a não ser que as criemos.
Faça, com todo o seu corpo e toda a sua alma, o exercício diário de se reinventar.
Destrua devagarinho os conceitos, as regras e os limites
que ao longo da vida seu ego criou.
Na verdade, acredite mais em seu alter-ego.
Da próxima vez em que a chuva cair, nem pense em pegar
o guarda-chuva e se proteger.
Beba cada pinguinho que rolar em sua face e desfrute o prazer de estar vivo.
Tire os sapatos. Ponha uma flor nos cabelos. Recite Camões em voz alta pela praça.
Se alguém lhe chamar de louco, sorria. O paraíso foi feito pra gente como nós.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Álibi Reticente

Quero beijar a palma da sua mão – antevejo no seu rosto a surpresa e adivinho o frio na barriga.
Quero beijar a palma da sua mão e fazer um sorriso safado na sua cara – porque um beijo na palma da mão é uma promessa de pecado vestida de inocência.
Um beijo na palma da mão e você cai na minha rede, como um peixinho indefeso, encantado com o inusitado do carinho. Por que um beijo na palma da mão lembra cócegas com a língua no céu da boca.
Quero beijar a palma da sua mão e deixar meu gosto cravado entre seus dedos. Quero beijar a palma da sua mão e levar pra sempre o sabor de cada movimento seu.
Por que um beijo na palma da mão é uma confissão de desejo vestida em álibi reticente...

15-08-95

Messalina

Afinal, o que você quer de mim?
Um breve roçar de corpos, um beijo furtivo e esquecível?
Aqui entre meus seios há um lago profundo que, mais que molhar suas mãos, merece um mergulho.
O que você vê em mim?
Pode enxergar o corpo além do corpo, adivinhar as curvas da minha alma, perceber meu cheiro por trás do perfume?
Habita em mim um arcanjo que, sob um véu de beata, veste-se de prostituta e sai por aí, pombagirando em meus sonhos molhados...
O que você espera de mim?
Um caso tórrido como uma tempestade tropical – assustadora, violenta e passageira?
As quatro estações dançam em meus olhos, eu as conheço de cor.
Tenho mais para dar de mim. Tenho a preguiça das manhãs cheirando a frutas, a melancolia das tardes sabor de vinho e a paixão cor de púrpura das madrugadas.
Eu sou mais. Contaria muito mais, se só por um momento eu acreditasse que, mais que a mim, é somente a mim que você quer. Soltava esse arcanjo louco pintado de Messalina para seduzir você.
Então, depois de dançar com minha alma, lhe traria para esse lugar entre meus seios, onde existe um lago profundo...

17-09-95



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Super Nova

Nunca pensei que as noites pudessem ser tão frias, que as horas sem você pudessem ser tão longas.
(Meu coração é uma super-nova, há dois mil anos-luz de qualquer lugar.)
Nunca pensei que os dias pudessem ser tão vazios, que os minutos sem você escorressem na velocidade de uma calda fria.
(Meu coração é uma falha no deserto, perdido na imensidão do Saara.)
Jamais pensei, jamais sonhei que a solidão fosse tão doce, entorpecente, bebida forte, devagar me levando pro abismo onde morrem todos os amores.
(Meu coração é uma flor selvagem, orquídea fúcsia, emaranhada em plena selva, onde pés humanos nunca tocaram.)
Não, nunca ousei amar assim e mesmo assim amei.
(Meu coração é um estrangeiro, expulso do paraíso, um náufrago em ilha distante.
Meu coração que não é mais meu, nem mora mais em mim, é um buraco negro, no meio do universo, perigosa e densa escuridão...)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alma Fujona

Pela fresta do meu olho direito – que é torto – minha alma espia. Estica as vistas, assunta, feito uma loba desconfiada.
Procura companhia.
Aproveita-se de um soluço e sai boca afora, rápida como um raio. Salta para o mundo como se aqui fora fosse lugar de alma andar por aí.
Feito um bichinho, saiu se esgueirando pelas paredes, cheirando, tocando, olhando tudo com seus olhos, nariz, mãos de alma.
Louca que é, quis ouvir rock’n roll e valsa ao mesmo tempo. Dançou nua sobre os móveis, esparramou comida e roupas pelo chão. Assustou-se com o papagaio e esganou o coitado. Riu do cachorro bobo,mas ignorou o gato.
Rasgou meus livros, fez chuva de papel picado, como se fosse primeiro de janeiro em plena Paulista...
Bebeu, riu, se engasgou. Cansou-se rápido do mundo e quis voltar, quando já era noitinha.
De madrugada, lua alta, minha alma vem bem pra beirinha, fica toda na pontinha de mim, bem no gatilho da boca. Vira pele, pelo, saliva, ais e uis, só pra namorar você. Alma safada...

Mar Negro

De onde vem essa urgência,
Essa doce violência?
É como se
meu corpo
não pudesse mais viver
sem o contato do seu corpo.
Sonho com seu cheiro
sua pele
seu jeito...
Sonho com boca na boca,
Sonho com meus peitos nas suas mãos,
Sonho com suas mãos...
Sonho com um beijo na curva da minha bunda!
Percorrer suas costas nuas
contar pintas no seu peito...
tatuar meu desejo como um beijo bem perto do seu umbigo!
Quero você deitado nas minhas costas
Seu peso, o hálito bom no meu pescoço,
Indecências no ouvido
arrepio
Pernas confundidas
Sexo febril...
Sonho com esse amor urgente
Acordo assustada
suada
Coração pendurado por um fio,
O tesão caminhando ainda nos poros e pelos.
Doce e violento...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Explicação



Eu escrevo desde sempre. Não me lembro mais quando comecei. Centenas de poemas, crônicas, contos, esparramados em cadernos, pedaços de papel, sei lá mais onde. Nunca consegui me expor, nunca. Com exceção dos que tinham endereço certo, o resto dorme em gavetas, caixas, verdadeiros fortes de papel.
Há algum tempo tenho pensado num blog. Mas não queria a obrigatoriedade de nada, nem segmentar nada... apenas um lugar pra deixar meus uis e ais. Se alguém lê, gosta, se manifesta melhor ainda.Um beijo na minha solidão d'alma.
O nome.  Uns três anos atrás, estava teclando com um amigo virtual, um psicoterapeuta, mineiro, uma pessoa incrível. Eu dizia a ele: não sei se breco ou se capoto. Ele respondeu: continue dirigindo.
Obrigado, Luiz Eduardo. O nome é em sua homenagem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Subitamente Romântica

Como quem estrelas no céu conta,
conto pintas no teu peito
e descubro, subitamente romântica,
também meio sem jeito, que talvez não acabe nunca...

Então outra vez fôlego refeito
invento novo brinquedo -
pesquisa de campo em todo teu corpo -
h á d e h a v e r d e f e i t o !

Aventureira cansada,
a dois segundos da gargalhada,
dispo a fantasia, inverto papéis

Nua, suada e sem argumentos, por fim,
Desisto da busca e s u a v e m e n t e me entrego
ao doce moço senhor de mim.

Recado

Se você vem chuva, que eu corra rio. Se você se rio, eu amanheça vale. Se você se vale de poder ser tudo, que eu seja nada pra caber você.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Ponto G ( Parte 3)

Existe um tipo de mulher que, menos por opção e mais por situação, vive na linha fina que distingue gente comum dos que têm superpoderes.

Estou falando da super-incrível-perfeita-insubstituível mulher. Alguém como você, que levanta às 6, corre para a academia, malha mais alguma parte do corpo bem mantido, volta para casa e come alguma coisa muito saudável. Banha-se e veste-se para o trabalho, chega pontualmente às 8:30, desempenha suas múltiplas atividades e ainda suporta o mau humor do chefe com um sorriso. Por volta do meio dia tem sempre alguma coisa para fazer antes de ir almoçar – como buscar as crianças na escola, ou fazer alguma comprinha para a geladeira.

Em casa descobre que a empregada queimou a carne e a salada ainda está nos saquinhos do sacolão. O mais velho leva um bilhete da professora solicitando sua presença na escola (qualquer coisa como palavrão, chiclete no cabelo, bombinha, sei lá); o mais novo tem um dedão sem cabeça – um tropeção no recreio.

Acudidos os pimpolhos, salvo o almoço, volta ao trabalho, não sem antes descobrir que tem contas de luz e telefone vencendo naquele dia. O saldo no banco é negativo e faltam ainda dez dias para receber.

De volta ao escritório, descobre que sua meia tem um verdadeiro rombo de alto a baixo – parecido com seu orçamento do mês.

Lá pelas três da tarde, o ex-marido liga para avisar e pedir paciência – vai atrasar a pensão das crianças.

O mau humor do chefe não melhorou e o office-boy simplesmente sumiu desde as dez da manhã.

A mãe liga para pedir um pouco de atenção, afinal você não telefona há dois dias, e você faz a promessa fatal de passar lá antes de ir para casa. Como? Só Deus sabe!

Abre o Orkut, o Face, o Twitter e entre as muitas bobagens, um lindo scrap do namorado novo... enfim, alguma coisa realmente boa! Você liga para agradecer e ele promete terremotos e outros fenômenos pra noite de sexta.

Uma sombra passa pelos seus pensamentos – sem depilar já há um bom tempo, você deve estar mais parecida com Monga, a mulher gorila, que com a Sharon Stone. Melhor marcar uma depiladora, para o final do expediente ...mas, e mamãe?

Bem, a mamãe não vai lhe abandonar por mais uma furada, mais o mesmo pode não se aplicar com o namorado.

Depois de tentar em vão um horário com sua depiladora, compra rapidamente um aparelho de barbear no supermercado e volta para casa. Logo na porta está o aviso de corte da luz. Na sala, descobre que o mais velho conseguiu virar o hack no chão, com televisão, DVD e tudo. Ninguém se machucou, mas a empregada, que está atônita e chorando alto, anuncia que quer as contas. A lavadora de roupas quebrou pela terceira vez em quatro meses.

O menor abraça sua perna e reclama de saudade.

Depois de juntar os cacos e o que sobrou inteiro da destruição na sala de estar, põe os anjinhos no banho e prepara um lanche rápido para todos. Por um acaso, guardando a bolsa, lembra-se que não tomou o anticoncepcional pela manhã. Ledo engano. Descobre que também não tomou ontem, nem anteontem. “E hoje, que faço hoje?”

O telefone toca e é a sua amiga neurótica, contando aquelas histórias horrorosas sobre doenças contagiosas, assaltos, sequestros e outras desgraças.

O telefone toca outra vez e é a sua mãe, lhe dizendo que não precisa mais chamá-la de mãe.

O telefone toca e é alguém lhe vendendo qualquer coisa.

O telefone toca e... era engano.

As crianças jantam e consegue, depois de muita história, beijinhos e promessas de passeios no fim de semana, colocá-los para dormir.

Pelo menos a empregada foi convencida de ficar mais um mês, já que você prometeu comprar uma lavadora nova, arranjar atividades para o mais velho durante toda tarde e aumento salarial!

Descobre que já são dez horas – o namorado deve chegar em uma hora – e ainda nem tirou todos aqueles pêlos! Banho demorado, um jeito nos cabelos (escovados e pranchados um dia antes), bom perfume, aquele vestidinho de seda, os indefectíveis, clássicos e caríssimos sapatos (que ainda não foram totalmente pagos e que maltratam lindamente seu dedo mindinho) e – voilà!

Uma linda mulher! O namorado chega, elogia sua aparência e a paz de sua casa. Saem para jantar, dançam um pouco e terminam a noite no motel. Antes de fechar os olhos, depois de fazer amor pela segunda vez, seu último pensamento é: “não acredito que consegui”.

Pela manhã, o namorado chama para o café e, entre o suco e o croissant, resolve dizer: “Querida, eu não queria falar, mas, ontem à noite, bem, é a primeira vez que vejo uma mulher roncar, e logo você, uma mulher tão perfeita.”

Você respira fundo. “Desculpe, amor, acho que estava cansada. Em compensação, você sempre fofo, como um ursinho panda...”

“Urso panda?”

“Sim: grande, peludo e um pintinho bem pequenininho.”

Caso encerrado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Ponto G (parte 2)

Eu me lembro de quando ainda era bem menina – 14, 16 anos - e adorava uma determinada revista, proibida para menores de 18 anos, mas que falava de sexo para adolescentes com a mais absoluta irresponsabilidade, como se fazer sexo com 13, 14, 15 anos fosse alguma coisa tão natural quanto a prática desportiva nas escolas.
A mesma revista que tratava sobre a primeira maquiagem, falava com total desenvoltura sobre transar ou não no primeiro encontro!
E mais - ia de sexo oral a sexo anal, com fotos exibindo lindos rapazes impúberes e meninas sem quadris em poses ardentes, para alegria de nossos olhos virgens e desespero dos nossos pais. Hoje entendo o que eles passaram.
A verdade é que a informação contida naquelas páginas ultrapassava em muito o que realmente tínhamos capacidade para absorver, entender e, de certa forma, induzia muita menininha despreparada ao erro.
Embora eu tenha chegado “invicta” até bem mais tarde, naquela época eu me exibia como a própria “Marta Suplicy do cerrado”, a maior sexóloga do momento – sabia tudo, sem nunca ter feito.
Passados anos (quantos, 15, 20...) surpreendo-me agarrada a uma “certa” revista feminina já mencionada por esta coluna, lendo avidamente, mais uma matéria imperdível sobre sexo.
Alguma coisa se mexeu lá nas minhas lembranças. E me flagrei como uma tardia adolescente engolindo com os olhos a matéria, as fotos e todas as dicas mais quentes (agora uma revista para mulheres adultas).
Isolei o animal fêmea-fútil e fiz uma análise fria, utilizando uma certa parte do cérebro que não tem gênero e que eu não sei onde fica.
- Meu Deus, o mundo se transformou numa imensa cama redonda de motel, onde todo mundo come todo mundo - de todo jeito - e só eu não vi (nem senti, nem comi)?!? Ou novamente estou lendo a revista errada?
Amiga, esta coluna não se presta a perseguir insistentemente tal revista, nem a falar mal de nenhum outro meio de comunicação, portanto, façamos justiça.
Neste ponto, outras revistas – e outros veículos - acabam cometendo o mesmo tipo de erro: uma excessiva glamourização, mitificação, complicação do sexo.
Somos induzidos a acreditar que fazemos pouco sexo ou, o que é pior, fazemos errado.
Somos levadas a crer, que sem aquela roupa, ou aquele curso incrível sobre massagem tailandesa perderemos nossos homens.
Somos escravizados pela ditadura do corpo perfeito, sem o qual somos seres inferiores.
Somos finalmente subjugados pelos papas da sociedade de consumo, criando diariamente, enquanto dormimos inocentes, as nossas mais novas necessidades primordiais, utilizando-se simplesmente daquilo que não passava, até então, de um dos nossos instintos básicos – o sexo.
A era do “sexo-vende-tudo” quer que acordemos, comamos, trabalhemos, vivamos enfim, com sexo na cabeça.
Não se engane, amiga. Assim como você, eu adoro sexo e tudo o que ele pode me dar de bom.
Mas estou literalmente de saco cheio dessas fórmulas prontas para “enlouquecer o seu homem”, “uma noite absolutamente perfeita”, “liberando seu lado selvagem”, e sacanagens várias de A a Z. Sempre atrás de tudo, existe um novo perfume, uma nova meia, uma marca de bebida, até mesmo cera para assoalho.
Entenda meu desabafo: nada contra planejar uma noite linda, com velas perfumadas, boa música e muito amor. Mas também não precisamos sofrer, idealizando eternamente uma cena de “9 semanas e meia de amor”, que dificilmente se concretizará.
Tá bom, de vez em quando, lingerie preta, cinta liga, vinho e tal, pode dar uma esquentada e tanto no relacionamento. Uau!
Mas não vai me enganar que você também não gosta daquele amorzinho no meio da semana, sem muito malabarismo (porque o outro dia tem batente), mas com muito carinho, daquele jeitinho que vocês dois já aprenderam, ali assim, tradicional, até com uma das partes do pijama por tirar, para depois dormir abraçadinho...
Pois é, menina, importante é fazer e fazer com amor e responsabilidade.
Pra mim, pobre mortal, essas fórmulas todas, posições de verdadeiros contorcionismos, creminhos mágicos e acessórios de toda espécie são soturnamente criados em redações, para vender cada vez mais um pouco de tudo. Mas os efeitos colaterais são mulheres cada vez mais ansiosas e frustradas, a procura do Ponto G, Ponto Q, Ponto R, etc, ao invés de simplesmente estarem aproveitando o melhor momento do dia, pura e simplesmente fazendo amor.

O Ponto G

(Segue uma série de crônicas publicadas numa revista de variedades, lá no interiorrr. Divirtam-se)

Não, amiga, não é mais uma coluna de sexo em revista feminina. É muito mais que isso. Quero falar com você sobre um milhão de assuntos, e entre eles, claro, sexo!
É que achamos que esse título seria mais atraente do que qualquer outro, porque a verdade mesmo é que adoramos falar e ler sobre sexo. Revistas, programas de TV, enfim toda a midia já descobriu isso – o mundo adora falar sobre sexo. So, let’s talk about sex!
Sem querer citar nome de nenhuma “concorrente”, já há algum tempo ando meio engasgada com certa revista feminina. A sucursal brasileira, já que é uma revista mundial, na ânsia de nos colocar num nível mais que europeu de conquista social, sexual, profissional etc, acaba criando mulheres com verdadeiros complexos de inferioridade – já que o abismo que separa a “mulher da revista” e a “pobre-que-a-folheia-no-salão-do-cabeleireiro” é intransponível.
A mulher da revista é magra, linda, ganha mais de dez mil reais por mês, trabalha em alguma multinacional e faz viagens ao exterior corriqueiramente. Tem um marido perfeito, ou melhor ainda, um ex-marido perfeito, um namorado lindo e jovem, filhos, se é que tem, nunca dão trabalho.
Essa mulher tem problemas? Claro que tem! Por exemplo, onde aplicar o que sobrou do 13º, escolher o roteiro da próxima viagem de férias (“oh, Deus, Europa ou Havaí?”), vencer a competição com o novo vice-presidente da empresa e, é claro, o que vestir naquela noite especial com seu novo namorado italiano – um vestido de seda vermelho (R$1.200,00) ou um terninho Armani (R$?????).
E nós, que moramos no interior, suamos horrores para ganhar o pão nosso de cada dia, auxiliando no orçamento de casa ou sustentando sozinhas nosso filhos (que dão um baita trabalho!), engolimos em seco, em frente à cena do casal quase transando na mesa de queijos e vinhos (tudo muito caro e bom!) e só conseguimos pensar que uma mancha de vinho numa toalha dessas é um prejuízo e tanto.
Tudo bem amiga, eu sei, eu sei. Fora a vontade de chorar de verdade, comparando nosso “corpinho” e nossos cabelos com os corpos e cabelos das divas e deusas da revista...
Roubando o bordão da novela, “vamos combinar?”
– Quantas mulheres você conhece pessoalmente tão bonitas assim – como essa sereia da capa?
- Quantas pessoas você conhece, independente de sexo, que viajam uma vez ao ano para o exterior? (Paraguai não vale!)
- Quantos ternos Armani você já viu de perto na sua vida?
- Quem você conhece pessoalmente que, pelo menos uma vez por semana, pratica sexo tântrico (com a correspondência do parceiro, claro), pompoarismo, ou Kama Sutra?
Bem, amiga, se a sua resposta foi nenhuma, nenhum, poucos ou poucas, fique sossegada – você não é o ET de Varginha.
Você é apenas uma mulher normal, que integra a grande maioria da população brasileira. Seus sonhos e ambições têm a ver com família e filhos normais, que dão trabalho e alegria, como quaisquer outros. Você trabalha num ambiente de pessoas como você, que também estão na batalha da vida. Seu marido é um homem normal, com uma barriguinha charmosa, gosta de cerveja e futebol. No almoço você come arroz com feijão, bife, salada e batata frita ( maridos costumam amar essa combinação!); no jantar costuma ser “o que sobrou”. Aos domingos você reúne a família na casa da mamãe – ou os amigos em casa e, apesar de toda a rotina, você descobre que é feliz.
É isso aí – sorria! O erro é da revista, não é seu, não está em você.
Essa tal revista feminina, extremamente machista desde a capa, já que expõe mulheres seminuas e escreve artigos do tipo “Como não deixar que ele perceba seus quilinhos a mais no primeiro encontro”, essa tal revista é que não mora no Brasil, nem é feita para brasileiras. Aliás, para mulher nenhuma. Porque também não acredito que essas deusas caminham pelas ruas de Paris em bandos ou servem mesas de bares nos Estados Unidos.
Cabeça erguida, bola pra frente. Do seu jeito e dentro das suas possibilidades, cada ser humano é único e maravilhoso, porque reflete todo o universo criado por Deus. Lembre-se disso todas as manhãs, quando acordar, e todas as noites, quando se deitar. Não deixe que o mundo lá de fora diga quem você é ou deve ser. Seja só você mesma.
Verdade é que terminei meu espaço e ainda nem falei do que queria falar! Nem um sexinho?! Vamos combinar? Na próxima edição eu venho quente.
Um beijo,

O NOME DA DOR

E de repente me veio o nome dessa dor:
é a dor do super-herói.
Dos X-Men.
Do Homem-Aranha.
De Xena, a Princesa Guerreira.


A dor de ser sozinho por trás de um destino inexorável
e um uniforme estranho.


A dor de não ter um igual.
De não ser compreendido.
De ter um segredo.
De ser o Super-Homem.
...eternas saudades de Kripton.



29-01-05 -21:47 – (Unaí- MG - quarto de hotel)

Férias do Anjo

É como um mergulho dentro e fora de si mesmo.


Subir e cair num buraco profundo, escuro, frio, úmido.


É tentar falar numa língua desconhecida, jamais proferida.


É tentar expressar aquilo que só as lágrimas conseguem dizer:


Não quero mais. Não me quero mais.


Dentro do peito rufam asas negras, como pássaros engaiolados se debatendo inutilmente.


O peito abriga dores sem nome. Olhos me fitam sem entender o que restou de mim.


Meu anjo da guarda se cansou de tanta tristeza. Pediu férias e tomou um antidepressivo on the rocks.


Fiquei assim. Manca e sem graça, unha quebrada, batom borrado, escrevendo versos cinzas, sentada à beira de um abismo de emoções desencontradas.


O amor me desnudou. Minha alma treme de frio. E ninguém vê.

Que digo?

Naquela foto aparece um pedaço da sua língua. E meu coração quase pára quando penso nisso.
Sinto saudade do toque dos meus dedos nas suas sobrancelhas (sempre em desalinho!). Quase sinto o cheiro de sua boca boa, de sua pele, desse corpo pesado e gostoso.
Arrependo de cada minuto que perdi tentando entender qualquer coisa, no lugar de simplesmente trepar com você.
Sou uma idiota, analisando o mundo e suas dores, dando nomes a sentimentos inomináveis, racionalizando, arquivando e etiquetando sensações, prazeres, coisas que só importam no seu momento.
Você tem os pés mais lindos que já vi. E o pau também.
Acho que te amei por algum tempo. Uma ou duas semanas, talvez. Depois sobrou um gosto estranho na boca, um hálito de freiras, uma ressaca, coisa esquisita.
Meu coração e minha cabeça não querem lembrar mais, querem seguir em frente. Mas meu corpo enlouqueceu, perdeu a referência, não quer saber de explicações verbais. Quer seu corpo e só. Que digo a ele?

Ana Lúcia – Moinho – Bsb – 84

Mas no brinco dela


Brinca o espelho.


Que reflete


Toda/qualquer paixão –


Nos nossos caminhos tão outros:


Rumos bifurcados


(bifurcados?)



E no brinco dela,


A existência da mulher.


Daquela que é rasgo


E sombra.


Furo e blitz.


Quem pode definir?




Mas no brinco dela –


Esquerdo e direito


Casal


Balança aquilo que é sol


E mais que a chuva:


Quase o encontro.




(Isso não é meu. Foi pra mim.)

O AMOR NÃO É

O aMor nãO é mElodia, NoTas mUSicaiS se eSpArramaNdo pELo ar. o AmoR é O dEscOmPaSSo, A noTa faLha, a Corda qUebRada. DesAfinaÇão do coRaçÃo...
O amor não é a dança, passos perfeitos que desafiam a gravidade com beleza. O amor é a queda, o pé em falso, a cara no chão. Câimbra na alma...
O amor não é o combate franco, luta limpa de gestos precisos. O amor é a surra, porrada sem direito à defesa, briga de rua.
Não se iluda. O amor não tem dignidade nenhuma.
É sujo e despenteado, batom borrado, salto quebrado...
O amor não faz concessões. Invade, mata, se mata. Mora em si mesmo, ri de si mesmo. Colorido e desbotado, roto e costurado, o amor se supera, explode, exagera, cai da cadeira,
perde a vergonha, se expõe.
Alguém acuda! O amor anda nu...