quarta-feira, 22 de junho de 2011

Com fusão

Confusão mental, não sei porque chama-se confusão mental, não seria espiritual? E o que dizer da confusão no próprio corpo? Afinal, por que a gente sofre por “histórias de amor”? Quase nunca são histórias reais, e sim, amores inventados, como dizia Cazuza, por que, não sei porque, temos tanta necessidade de inventar amores, como se viver fosse menos importante que amar...
Sim, eu sei, são os hormônios, malditos hormônios, nos arremessando contra os rochedos, pobre de mim, ao sabor de paixões, que nada mais são que reações hormonais, mais dia menos dia tudo acaba, numa manhã acordo e sinto um vazio no peito, olhos secos e sei que tudo não passou de um engano...
Mas se sei por que ora porra, não sou capaz de controlar, “não tenho borboletas no estômago, e sim águias”, e vou assim, de enfiada, engolindo frases, sussurros, vivendo de expectativas e lembranças, paixão é preciso, viver não é preciso...
É, vi na TV, na internet e na revista, mas dentro de mim sempre soube, paixão é reação química, nunca entendi porque “Química”, afinal, acaba na “Biologia”, na “Física”, sinceramente, há dias que os pensamentos não têm nexo, prioridade é saber de você, porque paixão é preciso, viver não é preciso.
Eu estou tentando dizer, que preciso passar a vida a limpo, preciso por ordem no barraco, que importância uma paixão pode ter na minha vida nessa altura do campeonato? só não entendo porque não posso dormir, comer, trabalhar, fazer as coisas da vida SEM PENSAR EM VOCÊ, não que eu queira, não que faça força, só é assim, que droga...
 Depois alguém quer que eu explique, explicar o quê, tá difícil até escrever, não consigo pontuar direito, mas enfim, você é preciso, explicar não é preciso...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Lilith





Não se engane.
Não caibo em sua rima
Não me pareço com nada que já conheceu
Pareço doce, mas meu gosto é muito meu.

Meus quadris cabem nos jeans
Mas na cama explodem loucos
 furacão branco,mar em fúria, terremoto
Não se engane...

Perdão, se não sou eu a flor singela,
Moça na janela,
Talvez nem seja bela, talvez nem seja ela, perdão...

Não sou conforto, antes o incômodo
Não sou o sim, no máximo um talvez
Se vai ficar, escolha suas armas e façamos um brinde!

Mas para não haver engano,
de cor, formato, tamanho, leia antes o aviso:
“Antes de Eva ser expulsa por causa de uma maçã,
Eu já tinha bagunçado bastante o tal Paraíso.”

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Chapéu Coco

Ela caminhou pelo quarto, como uma gata, lânguida, usando apenas o chapéu coco... exatamente como naquele livro que lera tantos anos atrás. Nua, chapéu na cabeça, esperando seu amor bater na porta.
Parou em frente ao grande espelho do quarto de hotel e observou-se. Ensaiou caras e bocas...
Mas, de repente, um maldito ataque de bom senso subiu-lhe às faces em forma de rubor! “Deus, enlouqueci!” Esquecendo a pose, correu pelo quarto em pânico, buscando rapidamente o que vestir! “Ele vai bater na porta e eu...” Procurou como uma louca qualquer coisa pra vestir. “Casual, seja casual!”
Iam se encontrar pela primeira vez. Mas ela sentia como se já fossem velhos amigos! “Bons amigos que falam de sexo... e que talvez, um dia façam sexo.” Era um bom pacto. Amizade não inclui sentimentos passionais. Exige apenas lealdade, não exclusividade etc etc. Seu discurso era bom e fazia se sentir resolvida, adulta, distante das outras mulheres mimimi...
Depois de meses de tanta conversa (trivial e sensual) pela rede ou pela fibra ótica, enfim, juntara coragem para conhecer aquele moço intrigante. Foi ao seu encontro. Sentiu-se muito ousada e poderosa pela atitude: “Você quer, você pega”. E agora estava ali, hiperventilando, numa crise de pânico, num quarto de hotel com um espelho enorme, refletindo-a por todos os ângulos, nua na sua loucura...
Atirou para longe o chapéu, teve ganas de jogá-lo pela janela , como a se repreender por ser tão tola.
Voltou a mexer nas roupas, já bem espalhadas pela cama, outras pelo chão. “Vestido parece romântico demais, lingerie... é muito óbvio...” (Afinal de contas, iam conversar primeiro e transar depois? Ou melhor partir pro jogo, marcar logo o gol ir pro abraço? E que espécie de cafajeste pensa coisas como essas?)
Claro que estava enlouquecendo! Em minutos alguém bateria naquela porta! Um homem jovem, lindo, inteligente e que esperava encontrar uma mulher sexy, segura, bonita... e não uma louca , cabelo desgrenhado de tanto vestir e tirar roupa, suada, apesar do tempo fresco, olhos esbugalhados e... droga, uma unha quebrada! Ah, isso já era demais. Resolveu tomar um calmante. Ou uma bebida, sei lá... A essa hora da tarde? O que ele ia pensar dela? Desistiu.
Seus pensamentos iam e vinham rápido, o quarto girou e ela achou que ia desmaiar. Deixou-se cair no carpete e ficou ali, ridícula, apenas dentro de um sutiã, que não conseguia abrir, no sufoco. Teve uma crise incontrolável de risos. Riu até amolecer... quem mais poderia protagonizar a comédia de sua vida, senão ela mesma?
Mais tranquila, levantou-se, caminhou até o banheiro, limpou o rosto meio borrado de maquiagem; ajeitou os cabelos num rabo de cavalo. Com calma, dobrou as roupas, colocou algumas em cabides. Achou uma camiseta, enfiou-se num jeans, não teve vontade de calçar nada. E antes que pudesse terminar a arrumação do quarto, pouco antes palco de uma tragicomédia, o telefone tocou e anunciaram a chegada dele. Entre ajeitar mais alguma coisa e se olhar de novo no espelho, ela pegou o baton e realçou a boca. Passou seu perfume favorito e bateram na porta.
Era próximo da meia-noite quando levantou-se para beber água. Passou os olhos pelo quarto e parou na belíssima figura que jazia nua, de costas na cama. Um arrepio subiu pela espinha e relembrou os momentos incríveis que sucederam ao ataque de pânico do meio da tarde.
Mágica! Química! Física, biologia, que importa! Pele e pele falaram por si, corpos já se adivinhavam, ela não conseguia lembrar direito o que conversaram, mas foi tudo leve, ”você é exatamente como pensei, adorei seu cheiro, sabia que seria assim!” Sexo bom, vinho, boa conversa, risadas na cama... ele jamais adivinharia o quanto ela sofreu vinte minutos antes dele entrar por aquela porta!
Bebeu sua água e olhou novamente pelo quarto... o chapéu jazia próximo à mesa no canto. Uma idéia iluminou-se em sua mente. Buscou o chapéu, ajeitou-o frente ao espelho do banheiro. Pegou uma cadeira e sentou-se, nua, de frente para o espaldar, como uma dançarina. Baixinho, falou o nome do homem moreno e nu, deitado na cama maravilhosamente desarrumada...