sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Poemas de Laura Beatriz

Menina criança

Sou menina criança
Pequena, ainda aprendendo a viver.
Sou menina criança
Na escola, aprendendo a ler.
Sou menina criança
Achando que já é grande,
Mas de inocência gigante.
Sou menina criança
Mas ainda sim tenho esperança!
Idéias

Tive uma idéia!
E se a gente pinta se a solidão de vermelho paixão?
Tive uma idéia!
E se a gente mudar a cara triste
vendo a beleza que existe para feliz?
Tive uma idéia!
Mas ela saiu voando, feito um pássaro cantando e disse para mim que queria ser livre!


Cor

Cor e vida,
Cor e a amizade,
Cor e a tranquilidade,
Cor e a suavidade,
Cor é desde o Rosa Shock que lhe puxa com a intenção de lhe fazer feliz.
Ao preto, que faz você se sentir sozinho como se faltasse cor...
Você mistura o rosa vibrante, com o azul tranquilizante que você tem um roxo radiante!
Você mistura o branco nuvem, com o preto que vai e vem, que dá um cinza que em tudo tem!
Agora você mistura o branco cubo, com o vermelho tudo, que dá um lindo rosa de veludo!!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Meu corpo, meus direitos


Falando com umas amigas no Twitter, pracinha virtual dos adultos, uma amiga enviou “beijos doces, porém diets”.


Num primeiro momento, ri, junto com as outras. Dois minutos depois, me revoltava. Ora! Que maldição é essa que nos acompanha por toda a vida! Vamos “pagar de gatinha” até na vida virtual? Para. Não sou diet.

Fui magra por toda a vida. Sorte. Não sou do tipo atlética, não tenho disciplina e detesto restrições. De uns anos pra cá, aquele local... a faixa de gaza (sempre em conflito) adquiriu contornos “diferenciados”. Nada de tão horrível, mas cinturinha de pilão morreu. Enfim.

A gente segue aprendendo truques por toda a vida. Mulheres são assim. Horas na frente do espelho escolhendo o melhor ângulo do sorriso, o melhor ar de distraída... Outro tanto a melhor maneira de chorar, sem ficar muito enrugada, feia...

A maneira de sentar que mais favorece, assim como a roupa certa. Ensaiamos até algumas poses sensuais, para a hora do sexo... os espelhos sabem tudo de nós!

Fora os pequenos sacrifícios, como abrir mão das sobremesas, fazer a fina, se entupindo de salada na churrascaria e até não comer em determinados dias que queremos parecer sereia numa festa! (Conheço uma que desmaiou no aniversário. Não fui eu!)

Somos capazes até de inventar uma nova forma de vida, de tanto ficar sem respirar, segurando a... vocês sabem o que. Se for preciso, entramos numa daquelas calcinhas tipo “aperta, modela e empina”. Se aparece o homem dos sonhos numa ocasião dessas, fazemos o que?

Mas voltando ao momento da revolta. Peraí. Cansei. Já tenho idade pra ter minhas ruguinhas quando rio. Tenho idade pra ostentar minha barriguinha, vá! Não quero ter que fazer carão, nem ficar roxa de falta de ar para usar uma blusinha mais justa! Por favor, me deixem ter minha idade, ser como eu sou! Afinal, sou ótima assim!

Meninas, nossos contemporâneos não estão melhores. Vejam! Boa parte já nem tem cabelo. E o que sobrou, tá branco. Não usam cremes melados à noite e alguns ainda acham que protetor solar é artigo de praia. A grande maioria não sabe a diferença entre estria e celulite! 10% têm uma barriguinha que não se importam de esconder. E 89% têm uma barrigona, que alisam satisfeitos, entre um chopp e outro! Por que vou ficar neurótica com a minha, que ainda nem chegou ao nível pança?

Tenho ouvido de amigos e lido certos artigos sobre o medo que o homem moderno tem das mulheres perfeitas, vendidas pela mídia. Maldito photoshop que reinventou a mulher! E criou um bando de neuróticas, gastando fortunas em clínicas de estética, cirurgias, academias e dietas milagrosas! Pra quem queremos ficar lindas? Para os homens que nos interessam - heteros, sem frescura, com pinta e cheiro de macho, ou para os “metro”, de quem desconfiamos quando ficam a sós com nosso armário de cremes?

Olha, não estou um bagaço, tá? Não sou malhada, não uso botox e não acredito que um dia vá pra mesa de cirurgia por um peito de traveca ou coisa parecida. O tempo foi bom pra mim. E quero ser boa pra ele. Vivi, aprendi tanto do mundo e das pessoas, amadureci e continuo aprendendo. Meu corpo é só a nave dessa viagem louca. Tenho respeito por ele, mas não idolatria.

Os homens que me amaram - e os que ainda vão me amar - têm que gostar primeiro de minha conversa, meu bom humor, minha poesia, meu jeito de ver a vida. Depois vão conhecer e descobrir meu corpo, sua beleza imperfeita. Porque somos únicos. Deus usou um molde pra cada um e não disse pra ninguém qual era o bonito e qual era o feio. Isso fomos nós que inventamos.

Ah, confessemos! Também nós, mulheres, olhamos com cobiça pra um corpinho definido, sarado, barriga de tanquinho e coxa de jogador... Mas dificilmente queremos um desses pra dividir a vida. Mesmo porque, esse tipo está tão apaixonado por sua imagem no espelho da academia que não vai ter tempo pra se doar a uma mulher, talvez nem mesmo pra olhar pra uma.

Resumindo: sou a favor sim, de que todo mundo tem que cuidar da boa alimentação, procurar acabar com os maus hábitos, levar uma vida mais saudável. Mas sou contra qualquer exagero. Chega de hedonismo, chega de culto ao corpo.

Quero a liberdade de ser quem eu sou, com a idade que tenho. Vaidade sim, sacrifícios, não. Não basta o sofrimento dos nossos pés que já não vivem sem as podólogas? Sim, queremos continuar de pele macia, cheirosas, cabelos sedosos pra encantar nossos homens. Mas sem nos transformar em bonecas de série, sem personalidade.

Charme, sedução e gostosura estão mais nos gestos e na experiência que nas formas perfeitas. E olha que nem estou falando de inteligência, generosidade, simpatia...

Abaixo a ditadura da perfeição! Meus 48 anos já me dão direito a relaxar o espartilho invisível que eu mesma deixei que me apertassem. Sou ótima como sou e não quero vestir roupas de menina. Sou uma mulher. E as pequenas imperfeições... bem, juro que desaparecem à meia luz e se transformam em encantos, quando eu quero...

Imagem: Mulher ao espelho, Pablo Picasso, 1932.
PS. Fiquei tentada a colocar uma foto minha, ao estilo Scarlet Johanson, mas resolvi não desviar o foco... numa outra ocasião, qiuem sabe... héhéhé... 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Não te amo




No cenário de guerra da cama macia,
Passeio por entre os montes e vales de sua pele morena e morna.
Dormindo,  assim, cansado de amar
Quase acredito na paz que você exala por poros e pelos.

Aproveito o momento, me deito sobre o gigante que dorme
Deixo meu corpo falar diretamente ao seu, tudo o que sente
Sem réplica, sem direito a discussão, calados um no outro...
Silêncio falando do amor que as palavras não conseguem...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Opinião



Por que é tão difícil entender que não tenho um catálogo de opiniões formadas?
E por que deveria?
O mundo gira, o universo continua se expandido, lagartas viram borboletas...
E meu espírito tem sede de continuar aprendendo, mudando, se renovando.
Tenho as mãos vazias para o abraço verdadeiro. E se não estivessem vazias, como abraçaria?

Guarde seus rótulos, partidos, bandeiras, ideologias e o escambau a uma distância saudável da minha loucura.
Sou muito rápida pra você.
Ou , como diria Marina,
“Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar...”

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Foto antiga



Encontrei uma foto esquecida nuns arquivos antigos.
Original, o título era Flor de Liz...
Você, semideus e seminu, me abraça, distraído...
Eu, de cara lavada, expressão cansada e feliz.

Bailaram na mente confetes de lembranças,
No coração, pinicar de sentimentos.
Quanto tempo faz? Um ano... Dois? Quanta distância...
E abri um sorriso gostoso, agradecida ao Tempo...

Por que todo o amor do mundo, seja como for
Mais dia, menos dia, vira canção, fotografia.
Fecham-se as feridas, cala-se a dor.
E a gente se pergunta o que é mesmo que sentia...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

#DaSérieTuítaQueTeEscuto



E quando não há mais nada a dizer? Conversa de silêncios, um sem jeito, quedar-se em cismas... Nada a dizer, nada a fazer...

Indiferente às suas dores,
Surdo às suas súplicas,
Cego às suas lágrimas -
O rio da vida segue seu curso. Nada preocupado com você...


Minha eterna sede de ir embora!...
Não há adeus bastante que me sacie!
É preciso seguir sempre, até não me ver mais na estrada...

De tanto dizer adeus, o que me dói mesmo é a chegada...
Mareja-me os olhos chegar... Porque lá (seja onde for) também não é meu lugar...