quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Ponto G

(Segue uma série de crônicas publicadas numa revista de variedades, lá no interiorrr. Divirtam-se)

Não, amiga, não é mais uma coluna de sexo em revista feminina. É muito mais que isso. Quero falar com você sobre um milhão de assuntos, e entre eles, claro, sexo!
É que achamos que esse título seria mais atraente do que qualquer outro, porque a verdade mesmo é que adoramos falar e ler sobre sexo. Revistas, programas de TV, enfim toda a midia já descobriu isso – o mundo adora falar sobre sexo. So, let’s talk about sex!
Sem querer citar nome de nenhuma “concorrente”, já há algum tempo ando meio engasgada com certa revista feminina. A sucursal brasileira, já que é uma revista mundial, na ânsia de nos colocar num nível mais que europeu de conquista social, sexual, profissional etc, acaba criando mulheres com verdadeiros complexos de inferioridade – já que o abismo que separa a “mulher da revista” e a “pobre-que-a-folheia-no-salão-do-cabeleireiro” é intransponível.
A mulher da revista é magra, linda, ganha mais de dez mil reais por mês, trabalha em alguma multinacional e faz viagens ao exterior corriqueiramente. Tem um marido perfeito, ou melhor ainda, um ex-marido perfeito, um namorado lindo e jovem, filhos, se é que tem, nunca dão trabalho.
Essa mulher tem problemas? Claro que tem! Por exemplo, onde aplicar o que sobrou do 13º, escolher o roteiro da próxima viagem de férias (“oh, Deus, Europa ou Havaí?”), vencer a competição com o novo vice-presidente da empresa e, é claro, o que vestir naquela noite especial com seu novo namorado italiano – um vestido de seda vermelho (R$1.200,00) ou um terninho Armani (R$?????).
E nós, que moramos no interior, suamos horrores para ganhar o pão nosso de cada dia, auxiliando no orçamento de casa ou sustentando sozinhas nosso filhos (que dão um baita trabalho!), engolimos em seco, em frente à cena do casal quase transando na mesa de queijos e vinhos (tudo muito caro e bom!) e só conseguimos pensar que uma mancha de vinho numa toalha dessas é um prejuízo e tanto.
Tudo bem amiga, eu sei, eu sei. Fora a vontade de chorar de verdade, comparando nosso “corpinho” e nossos cabelos com os corpos e cabelos das divas e deusas da revista...
Roubando o bordão da novela, “vamos combinar?”
– Quantas mulheres você conhece pessoalmente tão bonitas assim – como essa sereia da capa?
- Quantas pessoas você conhece, independente de sexo, que viajam uma vez ao ano para o exterior? (Paraguai não vale!)
- Quantos ternos Armani você já viu de perto na sua vida?
- Quem você conhece pessoalmente que, pelo menos uma vez por semana, pratica sexo tântrico (com a correspondência do parceiro, claro), pompoarismo, ou Kama Sutra?
Bem, amiga, se a sua resposta foi nenhuma, nenhum, poucos ou poucas, fique sossegada – você não é o ET de Varginha.
Você é apenas uma mulher normal, que integra a grande maioria da população brasileira. Seus sonhos e ambições têm a ver com família e filhos normais, que dão trabalho e alegria, como quaisquer outros. Você trabalha num ambiente de pessoas como você, que também estão na batalha da vida. Seu marido é um homem normal, com uma barriguinha charmosa, gosta de cerveja e futebol. No almoço você come arroz com feijão, bife, salada e batata frita ( maridos costumam amar essa combinação!); no jantar costuma ser “o que sobrou”. Aos domingos você reúne a família na casa da mamãe – ou os amigos em casa e, apesar de toda a rotina, você descobre que é feliz.
É isso aí – sorria! O erro é da revista, não é seu, não está em você.
Essa tal revista feminina, extremamente machista desde a capa, já que expõe mulheres seminuas e escreve artigos do tipo “Como não deixar que ele perceba seus quilinhos a mais no primeiro encontro”, essa tal revista é que não mora no Brasil, nem é feita para brasileiras. Aliás, para mulher nenhuma. Porque também não acredito que essas deusas caminham pelas ruas de Paris em bandos ou servem mesas de bares nos Estados Unidos.
Cabeça erguida, bola pra frente. Do seu jeito e dentro das suas possibilidades, cada ser humano é único e maravilhoso, porque reflete todo o universo criado por Deus. Lembre-se disso todas as manhãs, quando acordar, e todas as noites, quando se deitar. Não deixe que o mundo lá de fora diga quem você é ou deve ser. Seja só você mesma.
Verdade é que terminei meu espaço e ainda nem falei do que queria falar! Nem um sexinho?! Vamos combinar? Na próxima edição eu venho quente.
Um beijo,

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