quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Espera

Eu espero um príncipe árabe, de olhos e cabelos negros como a noite do deserto, pele morena, quente como o pecado.
Que ele chegue em seu cavalo branco, envolto em panos e turbantes, em brumas e mistérios.
Quando me tomar nos braços e me arrastar para sua tenda, saberei que lá fora o deserto se acaba em tempestades de areia, enquanto no meu corpo o príncipe conquista um oásis...


Eu espero um toureiro espanhol, sensual e perigoso, de lábios carnudos e uma rosa entre os dentes.
Que ele me lance seu chapéu entre beijos e eu o aguardarei numa sacada de pedra.
O amor com sabor de sangue e areia acontecerá sobre a capa vermelha e dourada.


Anseio por um poeta magro e pálido, de refinados modos e hálito de bourbon. Que chegue voando em versos na língua de Shakespeare.
Em frente à lareira, ao seu lado, que meu corpo esteja vestido apenas de poesia, que suavemente ele derrama e borda sobre minha pele. O amor se fará embriagado de absinto e rimas, escrevendo para sempre, no tapete secular, uma ode ao pecado original.


Sonho com um amante latino, um cantor louco, "piu bello ma non troppo", nariz másculo, peito cabeludo, convidando ao "dolce far niente"
Na tarde que se vai, o sol será testemunha do amor desesperado sobre a toalha de pic-nic.
Champanhe e morangos, lilás trazendo a noite, ti voglio bene, amore mio, ti voglio bene ...

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